segunda-feira

1Pe/2Pe

Os emigrantes voltam a ser os destinatários na 1ª carta de Pedro.
Podemos notar o paralelismo dos estrangeiros com o Cristo-solidão, rejeição, etc.
Nesta semelhança Pedro funda a identidade dos estrangeiros.
Jesus é o modelo a seguir a partir do sofrimento (alegria do sofrimento)-o autor recomenda aos estrangeiros ser pacientes no sofrimento, submissos nos maus trtatos e promete-lhes a recompensa no Céu (se eu seguisse estes conselhos já estaria morto...).
2Pe é mais elaborada , propõe um caminho de conhecimento-"aplicai toda a dilifência em juntar à vossa fé a virtude, à virtude o conhecimento, ao conhecimento o amor fraterno e ao amor fraterno a caridade" (2Pe. 1, 5-7).
Analisando 1Pe e 2Pe vemos dois eixos diferentes-1Pe exorta para o seguimento de Jesus enquanto a segunda para o conhecimento dele.

Epístola de São Tiago

Destinada aos judeus emigrados da Palestina e dispersos no mundo greco-romano. A carta pretende ser um consolo para estas pessoas que vivem na pobreza, solidão e desconfiança para com o mundo que os rodeia. A preocupação do autor é contrapor as duas realidades, a realidade do mundo e a realidade de Deus-"não sabeis que a amizade com o mundo é a inimizade com Deus" (4. 4). No fundo é um modelo de funcionamento em que a impotência na vida real é justificada pela desvalorização do mundo em favor da ideia de Deus-"vossa pátria é o céu", "vossa riqueza é Cristo", etc. É um modelo cómodo para o público de Tiago, mas na realidade é um suicídio. O conceito de "justificação pelas obras" já uma chamada para a realidade que dá a esperança para a sobrevivência prática dos desgraçados emigrantes.

A CARTA DE TIAGO

Bem como a Carta de S.Tiago seja pouca lida nas assembleias litúrgicas, ela trata de questões práticas. Na Carta de Tiago, não se encontra nenhuma doutrina cristã, mas encontram-se muitas coisas acerca da prática cristã. Podemos mesmo chamar a carta de Tiago, "A Epístola das obras" pois, se trata do comportamento cristão diário. Tiago, autor da Carta não é o irmão do João pois, este foi matado por Herodes (Actos 12,2). o Autor desta Carta é o Tiago de Actos 15, 13 e 21,18. Paulo chama-o:"Tiago o irmão do Senhor" en Gal. 1,19. Provavelmente, nunca foi na Judea, nem na Galileia, mas ficou em Jerusalém.
Podemos dividir a Carta de Tiago em cinco capítulos.
qual é então o carácter especial da Carta de Tiago?
A Carta não é dirigida a uma assembleia particular de crentes, nem mesmo à toda a comunidade cristã,mas às "doze tribos espalhadas" e, é esta a sua especificidade. o Apóstolos dirige então a sua Carta à nação dispersa, ao mesmo tempo, apresenta-se como o ecravo do Senhor Jesus Cristo. Podemos ver isso no início do versículo 2 quando ele escreve:"Meus irmãos". Não só pensava neles como irmãos de sangue, judeus como ele, mas também como irmãos na fé em Cristo, pois era esta fé en Jesus que os diferenciava com os pagãos.
a Carta de Tiago mostra-nos que os cristãos judeuse dos primeiros tempos estavam influenciados pelas ideias ordinárias do mundo. nos versículos 5 a 7, Tiago recorda aos seus irmãos a situaçõ real pois, os judeus ricos eram na sua maioria orgulhosos a Cristo e blasfemava o seu nome. Ora, Deus manifesta o seu amor de modo especial ao pobre (cf. Co 1, 26-31). Estes pobres escolhidos por Deus, verdadeiros cristãos, têm uma fé rica e são herdeiro do reino que há de vir.
no capítulo 4,8, a ordem está claro. a humilidade em primeiro lugar; depois a submissão a Deus que é o remédio para resistir ao diábo.
Nos versículos 11 e 12, fala da língua pois, falar mal contra os irmãos é pecar.
Depois, Tiago aborda outros temas como a piedade ( a verdadeira piedade introduiz Deus e a Sua vontade em todas as coisas).
No capítulo 5, Tiago aborda a questão das riquezas acumuladas, pois eatas não servem a nada.
Em conclusão, Tiago corobora os outros Apóstolos: Paulo, Pedro e João. Os quatro falam da iminência vinda de Jesus, com esperança imediata do crente. Temos algumas expressões que coroboram esta afirmação: "o fim de todas as coisas", "criancinhas, é a última hora", "A vinda do Senhor está próxima". Trata-se da vinda escatológica? A vinda de Jesus é a esperança dos cristãos e isto deve ser repetido hoje.
Max Atanga

A mania do “era-uma-vezismo”…

Diria o avô McStory que história, para ser história, deve procurar pôr a mesa para o jantar com o prato do espaço e os talheres do tempo: qualquer que seja a iguaria, caberá sempre na alva porcelana e será sempre partida aos bocadinhos para facilitar a digestão… se for possível inventariar a migalhinha mais giróvaga, melhor ainda. O netinho John News Light acrescentaria que história para ser notícia deve caber à vontade no prato e deve ser temperada com os condimentos em promoção no Così Fan Tutti Shop. Se pedíssemos o balão ao Filias Fogg e viajássemos pelo tempo com aqueles dois compinchas, chegaria o dia em que olharíamos para eles como se de sacos de areia a mais se tratassem.

Servir um Ensopado de Actos dos Apóstolos ao avô seria oferecer-lhe uma indisposição, porque Actos não é crónica, não é um hino à história documentária; dito de outro modo, o que se relata nesse Livro de Viagem[s] não importa tanto ser questionado quanto ao seu valor histórico, mas antes ao que isso significa numa lógica de autocompreensão do cristianismo nascente. O desafio está em o netinho fazer as perguntas certas ao que pode ser notícia. Entendendo a história como integração de acontecimentos numa tese, assumimos um método poético que não descarta nem o mito nem o facto, mas, por outra, recorre à fé e, nela, lê os acontecimentos.

Em Actos vemos tecer a história com um fio de orientação de acontecimentos sem despejar as caixas de histórias da dispensa do avô…

Esperança em Tiago está ligado à parusia

Em Tg 5,7-8 esperança aparece camuflada apesar desta aparecer como forma verbal “esperar”:

“Sede, pois, pacientes, irmãos, até à vinda do Senhor. Vede como o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando com paciência que venham as chuvas temporãs e as tardias. Tende, também vós, paciência e fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima.”

Portanto, podemos dizer que São Tiago parece participar da opinião difundida no sector da Igreja primitiva de uma próxima segunda vinda do Senhor (parusia). Esta comparação é segundo o estilo de São Tiago. As primeiras chuvas são o começo do Outono, as ultimas o começo da primavera. Assim como o lavrador espera pelos frutos com perseverança, assim também nós devemos saber esperar pela segunda vinda do Senhor ressuscitado. Parusia é o termo escatológico que designa a segunda vinda de Cristo. Neste versículo vemos que estava presente na comunidade primitiva a ideia de uma vinda próxima do Senhor e isso podemos verificar noutras passagens do Novo Testamento como em Mt 24,3.27.37.39 ou em 1Cor 15,23.

Esperança na 1ª Carta de Pedro e em Tiago

Podemos dizer que a palavra Esperança (elpis) é uma palavra que aparece 60 vezes em todo o Novo Testamento.
Ela aparece na 1ª carta de Pedro 4 vezes em forma de substantivo e apenas uma vez em forma verbal: Podemos observar:

1Pe 1,3 – Esperança
1Pe 1,13 – Esperança
1Pe 1,21 – Esperança
1Pe 3,5 – Esperavam
1Pe 3,15 – Esperança

Podemos pois concluir que já na carta de Tiago é mais complicado encontrar a palavra esperança. Portanto, esta palavra apesar de aparecer apenas uma vez em forma verbal (esperar) em Tg 5,7.

domingo

Por pouco...

“24Neste ponto da sua defesa, Festo exclamou em voz alta:
- Estás doido, Paulo! A tua grande sabedoria faz-te perder o juízo.

25Disse Paulo:
- Eu não estou doido, excelentíssimo Festo! Pelo contrário, estou a falar a linguagem da verdade e do bom senso.
26O rei está inteirado destas coisas e, por isso, lhe falo francamente, pois não creio que ele ignore nada disto, tanto mais que não foi a um canto que tudo se passou! 27Acreditas nos Profetas, rei Agripa? Eu sei que acreditas.28Agripa respondeu a Paulo:
- Por pouco não me persuades a fazer-me cristão!

29Disse Paulo:
- Prouvera a Deus que, por pouco ou por muito, não só tu, mas todos quantos hoje estão a ouvir-me se fizessem tais como eu sou, à excepção destas cadeias!
30O rei levantou-se, assim como o governador, Berenice e os que estavam sentados com eles. 31Ao retirarem-se, diziam entre eles:
- Este homem nada fez que mereça a morte ou os grilhões.

32Agripa disse a Festo:
- Este homem poderia ser posto em liberdade, se não tivesse apelado para César.”
Act. 26, 24-32


Ler este excerto dos Actos é como estar num circo a olhar para um malabarista numa corda bamba, sem rede. E há, no texto, dois passos limite, em que o equilíbrio parece perder-se e se teme ou se anseia qualquer coisa demasiadamente… há dois “quases”: o rei Agripa quase se faz cristão (v. 28) e Paulo quase foi salvo (v. 32). Como se o leitor tivesse no carro sentado ao lado do autor que se torna aqui um condutor perigoso, a imprimir-lhe tensão com as suas curvas aceleradas e travagens bruscas.

Centro-me na resposta de Agripa: “Por pouco não me persuades a fazer-me cristão…”. “Por pouco…” pisou-se o limite mas preferiu-se a limitação. Paulo remata, finalmente, num lance quase impossível de defender… mas o guarda-redes, mesmo assim, desvia a bola do dentro da baliza com a ponta dos dedos. Transportou-o da mesmice até à fronteira do além, das cinzas secas até á fronteira para a brasa, mas Agripa caiu da corda bamba a um triz de pisar esse solo firme onde a loucura e a verdade são gémeas siamesas. Faltou-lhe um golpe de asa…

Os Actos são, de facto, uma escola de evangelização… aprendemos por exemplo que ela só pode ser o estender a verdade em forma de um tapete de lixa, perante o torrão de fósforo de que é feita a alma dos outros; nunca pode, porém, acendê-lo. Há um “pouco mais” que pertence ao homem, um pequeno pátio chamado “liberdade” onde ele fica a sós entre o sim e o não em que ele mesmo se decide.


Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
.
(…)
.
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
.
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
.
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
.
(…)
.
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário Sá Carneiro, Paris, 13 de Maio de 1913


Um pouco mais de ti (caríssimo Agripa) – e terias sido tu.